A fotografia que abre este estudo é, ela mesma, um documento da época e da gente que retrata. Trata-se de um retrato pintado à mão: uma fotografia em preto e branco sobre a qual um artista aplicava tinta, colorindo roupas, olhos e feições. Era o que estava ao alcance das famílias trabalhadoras: quando a fotografia colorida ainda não existia, ou era cara demais, mandava-se pintar o retrato, que ganhava lugar de honra na parede da sala. As marcas do tempo que ele carrega não são defeito: são a prova de que atravessou décadas guardado, de casa em casa, como memória de família.
Muitas pessoas, quando pensam em pesquisa genealógica, imaginam que a atividade se resume a famílias tradicionais, à busca de ancestrais ilustres ou que deixaram sua marca em algum território, e que pesquisar famílias comuns não traria resultado algum. Podemos demonstrar que isso não é verdade.
Toda família tem a sua história. E muitas vezes é através da pesquisa que descobrimos respostas para o nosso próprio comportamento e o dos nossos familiares. No mês que passou, finalizamos um trabalho que resultou num belo estudo de uma clássica família trabalhadora do Recife do início do século XX.
Os Santana Santos têm origem em Luiz de França Antão dos Santos, nascido em 1886 na cidade do Recife, que desde muito novo se dedicou à pequena atividade comercial. De origens humildes, este pernambucano manteve, pelo próprio trabalho, a família unida, deixando uma vasta prole na cidade. Devoto das irmandades do Recife, foi por muitos anos organizador das festas religiosas do seu santo padroeiro.
Através do estudo, a família redescobriu as suas origens e um pouco da história dos seus antepassados, reescrevendo, assim, memórias esquecidas.
E você, conhece as suas origens?
Das suas raízes ao seu futuro.
