Neste mês entregamos um grande estudo sobre as origens e as ligações da tradicional família paraense Acatauassú com o velho sangue dos judeus sefarditas do nordeste brasileiro, um trabalho que permitiu que membros da família fossem reconhecidos em sua ancestralidade judaica e, com isso, obtivessem a cidadania portuguesa.
Conhecidos como parte da aristocracia fundiária do Pará no século XIX, foi na figura do engenheiro Domingos Acatauassú Nunes, e de seu casamento com dona Maria dos Anjos Domingues da Silva, que essa importante família se ligou à aristocracia pernambucana e passou a carregar em suas veias o antigo sangue dos judeus perseguidos no século XVI que se estabeleceram no Brasil.
A família de Maria dos Anjos estava firmada em Pernambuco desde o século XVI. Seus ancestrais faziam parte dos primeiros colonizadores da região, e entre eles, cristãos-novos e judeus que, buscando fugir da vigília da Inquisição, se fixaram no recém-descoberto território do Brasil.
Entre os antepassados de dona Maria dos Anjos está a célebre judia Branca Dias, que, condenada pela Santa Inquisição em Portugal, cumpriu pena de dois anos de prisão, hábito perpétuo e ensino religioso, sendo até proibida de pedir esmolas para sustentar os filhos. Foi essa mesma mulher, acusada na Inquisição pela própria mãe e irmã, que na metade do século XVI mudou-se para Pernambuco.
Estando entre os primeiros judaizantes a chegar ao Brasil, Branca Dias e seu marido teriam fundado, para alguns autores e pesquisadores, uma das primeiras sinagogas de que se tem notícia no país, local de oração e observância dos preceitos da Torá. Em sua propriedade, criaram uma escola para mulheres, onde as jovens aprendiam os ofícios e os costumes da época.
Nem mesmo a morte trouxe paz a Branca Dias. Durante a visitação do Santo Ofício ao Brasil, mais de sete anos depois de sua morte, a pioneira judia foi a maior acusada de práticas judaicas no território brasileiro. Netos, vizinhos, conhecidos e ex-alunas expuseram suas práticas religiosas, o que lhe rendeu novas condenações póstumas. Contam as lendas que o inquisidor mandou desenterrar seus ossos e os levou para Lisboa, para serem queimados numa fogueira da Inquisição, mais uma punição à judia.
Foi através da linhagem de Branca Dias que muitos membros da família Acatauassú puderam ser reconhecidos como descendentes sefarditas, e, assim, também como cidadãos portugueses.
Ao centro da fotografia, Maria dos Anjos, ao lado do marido, Domingos Acatauassú Nunes, cercados por grande parte da descendência.
E você, conhece as suas origens?
Das suas raízes ao seu futuro.
