Portugueses em Soure na década de 1920: <em>história, imigração e memória</em>

Acervos · Ilha do Marajó

Portugueses em Soure na década de 1920: história, imigração e memória

por Thiago Bezerra ViannaConsultoria Mnésis · Histórias e acervos

Durante a década de 1920, a cidade de Soure, na Ilha do Marajó, destacava-se como um dos principais polos econômicos do estado do Pará.

Esse protagonismo, especialmente ligado à agropecuária e ao comércio, atraiu um número expressivo de imigrantes portugueses, que se estabeleceram de forma permanente na cidade e passaram a integrar ativamente a vida econômica e social local.

A presença portuguesa em Soure era tão relevante que o próprio Estado português reconheceu a importância estratégica da cidade, instalando ali um Vice-Consulado de Portugal, responsável por defender os interesses dos cidadãos portugueses residentes na região. Poucas localidades do interior amazônico contavam com essa estrutura, o que evidencia o papel de Soure no contexto da imigração portuguesa na Amazônia durante o início do século XX.

Inscrição consular portuguesa registrada em Soure, 1924. Dados pessoais preservados. Acervo Consultoria Mnésis.
Inscrição consular portuguesa registrada em Soure, 1924. Dados pessoais preservados. Acervo Consultoria Mnésis.

A partir de um trabalho de pesquisa histórica e indexação documental, realizado com base na documentação oficial das inscrições consulares, foi possível identificar cerca de 200 portugueses estabelecidos em Soure ao longo da década de 1920. A lista abaixo reúne apenas parte desses nomes, funcionando como uma amostra representativa dessa comunidade lusa e do seu enraizamento na história local.

Abelino Lopes de Brito, Abílio Marques Dias, Albano Augusto Guerra, Albano Dias Fonte, António Dias da Cruz, António Farinha Lopes, António Ferreira da Costa, António Maria Valente de Mattos, António Matheus da Silva, António Nunes de Azevedo, Augusto Bastos da Silva, Bernardo Silveira Veiga, Camilo Ferreira Daniel, César Augusto Ferreira, Delfim Ribeiro de Sousa, Delphino Ribeiro de Sousa, Domingos Nunes Bastos, Eduardo Augusto de Azevedo, Eduardo Tavares da Silva, Elias Augusto Simões, Fernando de Oliveira Viegas, Francisco Carneiro Leão, Francisco José Pereira, Francisco José Vieira, Gaspar Quintela, João Francisco Maria, João Lourenço Mendes, João Maria Valente de Mattos, Joaquim de Pinto, Joaquim dos Santos, Joaquim Freire da Silva Lagarto, Joaquim Francisco Ferreira, José Augusto da Fonseca, José Augusto Neiva, José Dias, José Ferreira da Fonseca, José Gomes de Abreu, José Gonçalves da Cunha, José Júlio Pereira Torres, José Maria Macieira, José Maria Pereira, José Maria Teixeira, José Matias, Júlio Santos de Oliveira, Luciano Madeira Voath, Luiz Dias, Manuel Francisco Leitão, Manuel Gonçalves, Manuel Joaquim Fernandes Pandeiro, Manuel Joaquim Guerreiro, Manuel Joaquim Gouveia, Manuel Lopes da Silva, Manuel Luiz Pereira, Mário Augusto da Rocha Gomes, Paulo dos Santos, Quintino Francisco Ferreira, Rodrigo de Melo e Rodrigo José Correia.

Esses registros consulares constituem hoje fontes históricas e genealógicas de grande valor, podendo, quando associados a outros documentos familiares, servir como base para que descendentes pleiteiem o reconhecimento da nacionalidade portuguesa.

Muitas famílias de Soure carregam, em seus sobrenomes e histórias, uma ligação direta com Portugal. Cada pesquisa é uma reconstrução de trajetórias que atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a história da cidade. Se sua família tem origem em Soure ou ligação com a imigração portuguesa na Amazônia, sua história pode estar registrada — e ainda esperando para ser descoberta.

A história da sua família deixou documentos.

Se você reconheceu um sobrenome, uma cidade ou uma trajetória, podemos verificar o que os arquivos guardam sobre os seus antepassados.

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